Chacrinha, a Biografia (Resenha)

ChacrinhaQuem não se lembra das tardes de sábado, até 1988, quando sempre no mesmo horário na Rede Globo de Televisão, todos se sentavam em frente à caixinha que tinha o dom de reunir a família, assim como o rádio outrora havia tido, para ver e ouvir as frases engraçadas de um senhor pançudo, grisalho, de óculos de grau com armação preta e sempre fantasiado.

Chacrinha, retratado na biografia de Denilson Monteiro, passa a ser conhecido pelas novas gerações talvez não como o Velho Guerreiro, apelido dado por Gilberto Gil na música Aquele Abraço, mas como o culpado por figuras televisivas atuais como Fausto Silva, Gugu Liberato, Silvio Santos (embora contemporâneo de Chacrinha), Regina Casé (acusada pelo filho de Chacrinha, já falecido, de ser uma imitadora) e tantos outros, de surgirem de tempos em tempos, as vezes divertindo, às vezes chateando, dado o nível de baixarias.

Mas Denílson, embora sua narrativa seja engraçada, proporcionando leveza ao livro, também nos conta detalhes mais barraqueiros dos bastidores do Cassino do Chacrinha e da Discoteca do Chacrinha. O autor nos leva de volta aqueles tempos divertidos da música Pop Rock brasileira, quando figuras como Barão Vermelho e Cazuza, Capital Inicial, Ultraje a Rigor, Legião Urbana (embora não citados no livro), Léo Jaime e muitos outros se apresentavam nas tardes de sábado. Lembro-me de uma ocasião quando Lobão, visivelmente bêbado, apresentou-se na Discoteca do “Conde de Surubim”.

O livro abrange desde o nascimento até a morte de Chacrinha. Dos tempos de perrengue no Nordeste até a luta diária no Rio de Janeiro por um lugar ao sol.

Denílson, que fez um trabalho primoroso de pesquisa no livro O som e a fúria de Tim Maia, de Nelson Mota, deixou a desejar quanto à pesquisa de fotografias (ou pelo menos quanto à sua publicação no livro). Poderia ter sido melhor ilustrado, pois assim atrairia mais os mais jovens.

Mas mesmo assim, o resultado da narrativa foi excelente. A proposta de nos levar àqueles tempos sem telefonia móvel, tablets, internet, mp3, tendo como únicas fontes para conhecer novas músicas, novos artistas e novas propostas de entretenimento, o rádio (Chacrinha era Disc Jóquei, o número 1, por sinal) e os programas de TV, foi vitoriosa. Senti me em frente à TV, lá em casa, nas tardes de sábado, assistindo aos calouros e à farta distribuição de bacalhau para a faminta plateia do Teatro Fênix.

Ficha Técnica

Título: Chacrinha
Subtítulo: A Biografia
Autor: Denilson Monteiro, Eduardo Nasife
Editora: Casa da Palavra
Edição: 1
Ano: 2014
Especificações: Brochura | 368 páginas
ISBN: 978-85-7734-509-0
Peso: 510g
Dimensões: 230mm x 140mm x 40mm

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