Lobão – 50 anos a mil por hora (Resenha)

50 anos a mil do Lobo Velho
50 anos a mil do Lobo Velho

João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão. Sempre tem algo a dizer sobre si mesmo. Volta e meia aparecia sendo preso, dizendo alguma besteira e fazendo o que sabia fazer melhor: polemica. Ao vê-lo na TV em meio às suas estripulias, era inevitável pensar: esse cara é louco.

Engana-se quem pensa que seu livro veio para desmistificar a imagem de lobo mau. João Luiz traça um perfil honesto de si mesmo. Envolvido com a música desde jovem, autodidata, estudioso de sons que iam além do Rock, Lobão, além de narrar sua trajetória familiar que conta com a proximidade e os conflitos com o pai e a mãe e o apoio incondicional de sua avó, o grande lobo cria um retrato detalhado sobre o Rock dos anos 80 no Rio de Janeiro. A cena musical da época conta com personagens importantíssimos como Cazuza, de quem era grande amigo, Lulu Santos, que foi seu companheiro na banda Vimana, Ritchie, Evandro Mesquita, da época em que fez parte da Blitz e vários outros ícones do Rock e da MPB brasileira que Lobão conviveu, foi amigo, parceiro e também colaborador.

Lobão não é apenas um anti-herói da musica brasileira. Fundador da revista Outracoisa divulga artistas nacionais, entre cartunistas e músicos, escritores e artistas plásticos e está presente na cena cultural brasileira de forma  ativa e critica.

Mas o grande lance do livro é a narrativa. Pesada e solta, Claudio Tognolli opta por manter neologismos, palavrões e o estilo de diálogo do lobo velho. A iniciativa foi bem sucedida, pois, a “conversa” flui bem e não cansa, dando legitimidade às historias malucas, difíceis até de acreditar, mas que a “documentação de Claudio”, torna verossímeis, segundo afirmou Lobão em uma entrevista sobre o livro.

Mas o livro não é só “fruto de um devaneio nostálgico”. Lobão aborda a questão das drogas em sua vida de forma autocritica, sem justificar seu uso e nem fazer Mea Culpa. Porres homéricos e noitadas quimicamente alteradas faziam parte de seu cotidiano. Mas Lobão talvez não fosse Lobão sem todas as loucuras que cometeu.

Faz parte do seu show.

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