As práticas educacionais relacionadas às redes sociais em Cidade Ocidental-GO

As redes sociais surgem como grandes desafios àqueles que querem valer-se delas para inseri-las em um contexto útil, agregado à educação, tal qual, o advento da TV e do Rádio, logo que esses dois meios de comunicação de massa surgiram. Essa forma de interação vem conquistando novos espaços e formas de agir baseadas na colaboração e cooperação entre os segmentos envolvidos. O que tentaremos entender a seguir é como se dá essa interação no seio da comunidade escolar e como as escolas de nível fundamental tem se valido desse expediente para utilizar as redes como forma de objeto auxiliar nas práticas de ensino-aprendizagem.
Desde o surgimento da internet, tem-se notado que a sociedade tem usado cada vez mais, recursos computacionais para interagir com outros grupos, tanto diferentes quanto iguais em pensamento e atitudes, além de conhecer outras culturas. Sites de relacionamento como Orkut, Facebook, Pinterest, Quepasa, Google Plus, entre outros, tem surgido de tempos em tempos, modificando comportamentos, exacerbando interesses, servindo como canais de cooperação entre grupos sociais diversos e canais de divulgação de ideias e interesses.
Novas profissões têm surgido em função das redes, tal como Analista de Redes Sociais, Webjornalista, Webdesigner entre outras, cuja finalidade vai de encontro à necessidade de se desenvolver um ambiente virtual de informação e entretenimento, fomentando o crescimento de empresas, conglomerados virtuais ou físicos e servindo como porta de entrada de empresas dos mais diversos ramos.
É dentro deste contexto que pretendemos traçar um panorama sobre o uso das redes sociais dentro das propostas pedagógicas de ensino, notadamente no município de Cidade Ocidental, Goiás, distante cerca de 40 quilômetros da Capital Federal, com cerca de 50 mil habitantes (Censo IBGE 2010).
O presente artigo é resultado de pesquisa entre os docentes das escolas municipais: Edson André de Aguiar, Paulo Freire, José Fernandes da Silva Neto e Hélio Jones Branquinho, todas localizadas no município de Cidade Ocidental-GO.
Foi perguntado aos professores se os mesmo planejam aulas, onde a temática central seja o acesso às redes sociais; qual a frequência que professores e alunos acessam as redes sociais, tanto em casa, em lan-houses ou na escola; e se a escola estimula de maneira efetiva, o uso das redes sociais no local de estudo, em conjunto com as práticas pedagógicas.
Justifica-se a escolha do tema, pois, inúmeros são os jovens que acessam regularmente as redes sociais, passando cerca de 8 horas em frente a computadores, interagindo com colegas de classe e até mesmo com professores.
É preciso olhar para o que está disponível na rede e apropriar-se de sua lógica para direcionar práticas pedagógicas e incentivar o diálogo com esses espaços, pois neles circulam informações, saberes e experiências, elementos fundamentais para o processo educativo. É preciso aliar essa dinâmica à práxis, compreendê-la, debatê-la e abrir as portas da escola para o mundo que a internet representa. (SANTANA, 2012, p. 120)
Os resultados alcançados foram surpreendentes, tendo em vista os dados lançados no presente artigo. Verificou-se que a totalidade das escolas pesquisadas, embora possuam salas equipadas com mais de 10 computadores conectados à internet, com professores dedicados exclusivamente a ensinar como operar as máquinas, não incluem em seus projetos pedagógicos, as redes sociais como tema principal e nem mesmo tema secundário.
Outro dado interessante, é que os professores, mesmo a maioria declarando que possuam perfis nas redes e interajam com alunos da escola, planejam aulas objetivando o uso das redes.

O advento das redes sociais como meio de comunicação e interação entre os usuários, desperta os mais diversos sentimentos, entre os quais, os de justiça. Servem como mobilizadores para causas sociais, protestos ou simplesmente como fórum de discussões. São os chamados Novos Movimentos Sociais, que surgem das insatisfações geradas na desigualdade social, na apropriação do produto social e no planejamento produtivo. Embora sejam universais as insatisfações, é a partir de seu contexto social especifico que os movimentos as enfrentam e associam às carências básicas da população. Seu projeto fundamental é a construção da democracia em dupla perspectiva: institucional e das relações sociais ou “cultura democrática” a qual depende da capacidade de articulação de um espectro mais amplo de atores sociais e da reconstrução prática da cidadania. É um processo que aponta para a liberdade, para a igualdade, para a autonomia, para a autogestão, para o respeito à vida, para a representação politica pelo próprio movimento, que são valores inerentes à cidadania e a sua conquista e exercício (Senna Filho, 1994).
Embora grande parte da população não faça parte de redes virtuais, os números crescem a cada dia. Recentemente, veículos de imprensa divulgaram números de atestam a assiduidade da sociedade nas redes sociais, em especial o Facebook, criado por Mark Zuckerberg. Cerca de um bilhão de usuários mensais ativos. Embora grande parte desse quantitativo seja de perfis falsos (chamados “fakes”), perfis que se referem a uma única pessoa, pois há limitações no número de amigos que um usuário pode ter, e perfis empresariais, os números impressionam. Indicam que o acesso à internet cresce a cada minuto no mundo, consequentemente no Brasil e especificamente em Cidade Ocidental.
Estimativas dão conta de que somos 83,4 milhões de internautas, sendo o Brasil, o quarto país em acessos à rede mundial de computadores. Destes, 50,7 milhões de usuários acessam regularmente a Internet. 38% das pessoas acessam à web diariamente; 10% de quatro a seis vezes por semana; 21% de duas a três vezes por semana; 18% uma vez por semana. Somando, 87% dos internautas brasileiros entram na internet semanalmente e destes, 97% acessam as redes sociais.
Tendo como base o Facebook, para entender o avanço das redes sociais no País e sua influência nas relações humanas, faz-se necessário observar os seguintes números em relação ao crescimento da citada rede social virtual. Em 2011, o Facebook registrou 1,6 bilhão de curtidas (ou “likes”), 1,6 bilhão de comentários, 715 milhões de mensagens enviadas, 160 milhões de publicações em murais, 460 milhões de fotos publicadas e 996 mil uploads de vídeos.
Números expressivos que influenciam sobremaneira o modo como os estudantes de ensino fundamental em diversas localidades do Brasil, lidam com as informações ali postadas.
A facilidade de acesso a computadores que dão acesso à rede mundial de computadores é um fator preponderante no que diz respeito à influência exercida pelas redes sociais. O número de Lan Houses (locais com diversos computadores que a preços módicos, possibilitam pessoas de baixa renda ter acesso a recursos computacionais de lazer e informação) teve grande crescimento até 2010. Segundo o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), esse tipo de estabelecimento, que respondia pela maioria dos acessos à internet no Brasil até três anos atrás, estão mais raros. O SEBRAE estima que o número de unidades tenha caído de 130 mil em 2010 para 100 mil em 2011 (-23%). Em contrapartida, o número de residências com computadores com acesso à internet, tem aumentado. No Brasil, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas – FGV, a quantidade de computadores deve chegar a 98 milhões neste ano. Em 2005, eram 30 milhões. O aumento é creditado à elevação na renda e à queda no preço.
O funcionamento das redes sociais virtuais é bastante similar, variando em alguns aspectos, entre um software e outro, utilizando scripts variados que determinam cores, tamanhos, modos de interação e gerenciamento de dispositivos externos ou internos.
Em todos os softwares, a adesão se dá por meio de inscrição do usuário inserindo-se senha e e-mail. A partir daí, usuários podem compartilhar fotos, imagens, dados, textos e interagir por meio de bate-papos diretamente com outros usuários. Compartilhar notícias e imagens de outros usuários e páginas também é possível, além de poder participar de grupos de interesse em comum, comentar, “curtir” postagens, entre outras atividades de interação direta ou indireta.
As escolas, particularmente as localizadas em Cidade Ocidental, ainda não sabem como aproveitas as redes sociais, no sentido de inseri-las no contexto pedagógico. Observa-se que as Redes se mostram cada vez mais inseridas na vida dos jovens dos 10 aos 18 anos de idade, fase em que estão entre o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio.
Observou-se também, que nenhuma escola possui atividades pontuais de inserção das redes sociais nos programas educacionais em atividade nas unidades de ensino. Os jovens comentam assuntos postados nas redes em sala de aula de maneira corriqueira, postam comentários e imagens durante as aulas, no intervalo das aulas e até mesmo enquanto estão se locomovendo para suas residências.
Entre os professores de diversas disciplinas que trabalham nas escolas, poucos afirmaram não possuir conta em qualquer rede social, enquanto a maioria admite participar ativamente das redes, inclusive durante o intervalo das aulas, utilizando computadores e notebooks nas escolas.
Os coordenadores pedagógicos admitem a importância de se trabalhar em sala de aula conteúdos que possam aproveitar as redes sociais nos projetos pedagógicos. Entretanto, também admitem não estar executando nenhum e nem planejando alguma ação relacionada ao tema, deixando para os professores, a iniciativa de promover isoladamente alguma aula com o tema.
Embora professores, gestores e alunos estejam presentes nas mesmas redes sociais, percebe-se grande distancia entre os discentes e docentes no mundo virtual. Menos de um terço admitiu interagir na rede com alunos da mesma escola.
Quando se confronta os professores com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, verifica-se que os docentes, embora tenham conhecimento do que prega as diretrizes nacionais para a educação de Nível Fundamental I e II, não consideram as recomendações pertinentes ou realistas.
Mas há de que se convir que, embora os PCNs representem considerável avanço no que tange a Educação no Brasil e muito provavelmente, em toda a América do Sul, tais diretrizes lançadas em 1998, sob a assinatura do então Ministro da Educação e Desporto Paulo Renato, carecem de atualização.
No livro Língua Portuguesa para o Terceiro e Quarto Ciclos, há capítulo dedicado às Tecnologias da Informação e na Introdução aos PCNs, Quarta e Quinta Parte, que versa sobre o impacto dos adventos da Televisão, do Rádio, dos processadores de texto e menciona CD-ROM, multimídia, hipertexto (linguagem da qual é feita as páginas web) e Computadores de forma sucinta, deixando claro que embora se tratasse ainda de novidade, tendo em vista que a rede de computadores virtuais, tal qual a conhecemos agora, internet, havia sido lançada ainda em 1996, ou seja, apenas dois anos antes da publicação dos PCNs, já era pensada de forma a ser inserida na Educação de forma efetiva, não apenas na informatização da práticas pedagógicas já existentes, mas como meio e fim da Educação com um todo.
O avanço se dá quando os organizadores da publicação remetem a uma reflexão sobre as novas tecnologias, chamando a atenção para o fato de que, tais inventos, não necessitam ser tomados como eventuais recursos didáticos para o trabalho pedagógico, mas de considerar as práticas sociais nas quais estejam inseridos para conhecer a linguagem videotecnológica própria desse meio; analisar criticamente os conteúdos das mensagens, identificando valores e conotações que veiculam; fortalecer a capacidade crítica dos receptores, avaliando as mensagens e produzir mensagens próprias, interagindo com os meios.

Grande parte dos alunos do ensino fundamental da rede pública do município de Cidade Ocidental apresentam características diversificadas e de nível sociocultural baixo o que acarreta baixo rendimento escolar, levando-os a frequentar Lan-Houses para outros fins pouco educacionais, até mesmo porque, inexiste relação entre disciplina estudada em sala de aula com vivência fora dela, no que tange os aspectos tecnológicos resultantes do acesso à rede mundial de computadores, em especial às redes sociais;
Outra hipótese, seria a de que as práticas relacionadas à informática, na escola, quando raramente adotadas pelos professores da rede pública, seriam muito tradicionais e pouco ousadas e não contribuiriam para o aumento do desenvolvimento cognitivo;
Os professores do ensino fundamental não utilizam recursos computacionais variados para a avaliação dos conteúdos no processo ensino-aprendizagem, até mesmo porque, julgam-se inaptos e não preparados pelo poder público municipal para manusear computadores.

Nota do Autor

O presente artigo é resultado de minhas incursões pela Educação local e pesquisas informais e formais realizadas nas escolas de Cidade Ocidental, Goiás. Faço referência à totalidade dos resultados, ciente de que há casos isolados, quando um ou outro professor lança mão de recursos das redes sociais de modo à integrá-las aos processos pedagógicos em cursos em suas unidade de ensino. De maneira nenhuma pretende-se, com este artigo, denegrir, ferir, criticar sem base científica à classe magisterial.

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