O Alvo é a Educação

Estudar no Brasil é complicado.

Sei que parece clichê, utilizar esse reducionismo para caracterizar a situação das escolas no Brasil, mas acho que a frase diz tudo, enfim, sobre a situação do estudante brasileiro e de seus professores.

Sabe aquelas situações em você pensa “achava que isso só acontecia em filmes americanos”? Foi assim que me senti em 11 de setembro de 2002 quando os aviões bateram nas torres gêmeas em Nova York e agora, vendo pela TV que um rapaz, identificado como Wellington Menezes entrou em na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio e saiu atirando nos alunos, crianças e adolescentes que assistiam aula, preparando-se para um futuro melhor.

Ainda não se sabe o que motivou essa insanidade. A polícia ainda investiga. A imprensa também. O Ministro da Educação está horrorizado e declarou que “é uma situação sem precedentes no País”. A Presidenta Dilma Rousseff chorou e lamentou o ocorrido “com essas crianças indefesas de Realengo”.

Essa triste notícia vem se anunciando, não silenciosamente, mas com muita violência pelos “Bullies”. Termo usado para designar os “valentões” que aterrorizam quem é diferente na escola ou simplesmente quem gosta de estudar. Dê uma navegada no Youtube, site de vídeos na internet, e verá que os Bullies não agem discretamente. Gravam e publicam seus feitos para que todos possam ver. Sem medo, pois, a nossa legislação é tolerante com as falhas de caráter dos jovens menores de 18 anos. Agem como adultos, mas pagam como crianças.

Quem sabe, Wellington, que atirou nas crianças dessa escola em Realengo, no Rio, não fez exatamente como vários garotos dos Estados Unidos (veja os filmes Elefante e Tiros em Columbine), que após serem molestados durante anos, resolvem ir à forra? Vítima de bulling, provavelmente.

Atenção: não estou dizendo que isso é certo, em hipótese alguma. Não se justifica abuso com morte. Mas digo que a sociedade tem que exigir mudanças em relação ao tratamento dado aos alunos. O Governo Federal tem que criar leis que obriguem as escolas (particulares e públicas) a manter um psicólogo de plantão na escola, a fim de verificar possíveis desequilíbrios resultantes de abusos por parte dos colegas em alunos, vítimas desse tipo de violência psicológica ou física.

INICIATIVAS

Mas a verdade é que cada Estado e/ou município pode tomar essa iniciativa. Mas poucos o fazem. Em Cidade Ocidental, Goiás, na rede pública há um psicopedagogo presente em cada escola para atender os alunos com dificuldade de aprendizado. Esse profissional deveria estender seus conhecimentos àqueles que são vítimas de bulling e aos próprios Bullies, identificando a fonte de tanta agressividade.

No Centro Pedagógico de Cidade Ocidental há terapia ocupacional para os alunos da rede pública, com pinturas, modelagem de esculturas, música e outras atividades. Não há nada voltado a fim de prevenir o bulling nas escolas, mas a iniciativa por si só já é um avanço. O Projeto Karatê, da prefeitura, também ajuda a canalizar a hiperatividade das crianças portadoras de TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com (ou sem) Hiperatividade, que é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade

As prefeituras (não só a de Cidade Ocidental) deveriam promover campanhas maciças contra o bulling e a violência nas escolas (tanto contra alunos como contra professores), pois é fato que as escolas públicas são os alvos preferenciais do tráfico de drogas e da marginalidade que tentam cooptar novos adeptos. É dever do professor, tentar recuperar o espírito confuso daqueles que se sentem tentados a ir para o outro lado da força. E é dever do Estado proporcionar recursos para que o professor o faça com mais dignidade e sem se expor, tendo respaldo, inclusive, da polícia. Como eu disse uma vez, o Magistério é 80% psicologia.

Existe uma recomendação do Conselho Municipal de Educação de Cidade Ocidental, de que haja um profissional de Psicopedagogia presente também nas escolas particulares da cidade. Mas o que vemos é um total descaso a essa importante orientação. A orientação seguida por essas escolas é “aumentar as mensalidades todos os anos e oferecer um serviço precário. De fato.

A Sociedade como um todo, precisa se mobilizar para impedir que nossos jovens cresçam traumatizados com casos de violência e bulling dentro das escolas. Se a meta é que toda criança a partir de cinco anos esteja na escola, precisamos prestar atenção em como ela será tratada quando lá chegar. Ou o acontecerá será uma total evasão dos bancos escolares, pois ir para a escola, será como ir à guerra. Vence quem estiver mais bem preparado com táticas de guerrilha e armamento pesado.

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