Vida bandida: Teófilo e Arruda são iguais?

Aqui se faz e aqui se paga. Conhece esse ditado? Todos nós conhecemos e a cada dia concluímos que ele é mais verdadeiro do que nunca. Seja relacionado aos casos mais corriqueiros e anônimos, seja aos casos de grande vulto como é o da Caixa de Pandora.

Arruda e companhia estão comendo o panetone que o diabo amassou politicamente, mas isso não os levará a miséria, podem ter certeza. Continuarão andando de carro, comendo em restaurantes caros, viajando pelo País e etc.
Mesmo assim, há quem diga que julgar essas pessoas, no âmbito religioso e moral, é imoral. Deus não gosta e qualquer vingança é para ser deixada a cargo d’Ele.
Concordo. Nosso papel como seres humanos não é esse. Nosso papel é cuidar da nossa vida e ajudar quem precisa, sem olhar a vida pregressa de ninguém com olhos acusadores.

Mas não estou me referindo mais ao Arruda. Me refiro ao cidadão comum. Me refiro àqueles que viveram realmente à margem da lei e depois foram cobrados pela própria vida pelas insanidades que cometeram.

Teófilo

Me refiro a Teófilo Valdivino de Oliveira, vulgo Teofinho ou simplesmente Teófilo. Morador da Super Quadra 12, conhecido fora-da-lei que atuou em Cidade Ocidental até bem pouco tempo atrás, quando foi alvejado por três tiros na rua onde viveu toda a sua louca vida de drogas e roubos.

Conheço Teófilo desde quando éramos crianças. Nunca compartilhei de suas opções de vida, claro. Mas compartilhávamos do gosto pela música: o Rap. O pouco diálogo que tínhamos era sobre esse estilo musical, que eram mais trilha sonora para a vida dele do que para a minha vida.

Mas Teófilo resolveu trilhar essa trilha de forma literal. Mergulhou numa trajetória perigosa e sem volta que cobra altos preços. Passou metade de seus 32 anos atrás das grades e agora passará o resto da vida preso à uma cama sem poder fazer suas próprias necessidades, pois um dos projéteis está alojado em sua coluna e outros dois em cada um dos pulmões. O quarto projétil atravessou seu braço direito e foi parar em algum lugar da rua misturado ao sangue.

Embora não possa falar muito, conversei com ele dia desses antes que voltasse ao hospital de Santa Maria, pois não há condições de higiene e nem de cuidados médicos na casa onde reside com a mãe, o padrasto, irmãos, irmãs, muitos sobrinhos e pouca esperança.
Com o olhar sem brilho, disse que não sabia porque isso tinha acontecido. Talvez se referisse à vida como um todo e não à possível vingança que sofreu por alguma bronca do passado, embora ele não seja dado a filosofias, caracteristica típica de quem não ficou muito tempo nos bancos escolares. Costumava ir armado às aulas que tinha com a professora Ione, sua alfabetizadora dos tempos de Igreja Católica. Acho que a professora ainda não sabe do estado de seu aluno.

Ela bem que tentou. Eu bem que tentei: aconselhava-o a largar essa vida e trabalhar nem que fosse de faxineiro ou ajudante de lava-jato. Ele sempre me garantia que estava fora do mundo do crime, mas era recorrente a ida de antigos comparsas à sua casa. Por duas vezes, libertado da cadeia, tinha que apenas dormir no presídio, mas nunca comparecia. Em menos de um ano, segundo ele próprio, teria suas dívidas com a justiça pagas.
Mas suas preocupações maiores estavam aqui fora: temia ser cobrado por algo do passado. E foi o que aconteceu há pouco tempo.

Qual seria o futuro de Teófilo se tivesse tido um pai, se tivesse sido bem orientado a procurar uma profissão ou frequentar a escola? Bem melhor com certeza, tendo em vista de que não me recordo de ver sua família passando por necessidades.
Mas o tempo não é para julgamentos morais como frisei antes. O tempo é de fazer nossa parte como seres humanos que também cometem falhas.

Durante a visita que fiz a ele, sua mãe se mostrou preocupada com a falta de apoio das autoridades responsáveis pela ação social no município. Ela precisa de fraldão descartável, coletores de urina infantil e alimentos em geral, pois a qualquer momento ele retornará do hospital, pois segundo os médicos, não há possibilidade de remoção dos projéteis que se encontram em seu corpo, sem que sua vida seja posta em risco.
Entretanto também não há condições de que permaneça em casa com as condições minímas de cuidados.

Sei que muita gente não nutre qualquer afeto por Teófilo, mas ele tem uma mãe que não dorme mais, pensando no que fazer.

Convoco os vereadores de Cidade Ocidental a fazer uma visita a casa de Dona Neura, mãe de Teófilo para atestar o que digo e propor alguma ajuda, já todos os moradores de lá, também são eleitores.

Dêem um pulo ao Lava Jato Central, ao lado da Igreja Universal e conversem com o Sr. Viegas ou liguem para: 61 9688-8618 ou 61 9248-1795 para mais detalhes.
Não julgueis, deixem isso para os magistrados e para Deus.

Publicado no Jornal Ocidental de março de 2010.

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Um comentário em “Vida bandida: Teófilo e Arruda são iguais?

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  1. É.. o resultado de uma vida louca é isso aí.
    Pra quem não tinha dó dos trabalhadores na parada da praça…
    Pra quem dava tapa na cara do trabalhador pq só tinha um vale transporte, agora precisa de fraldas….
    A vida é curta meu irmão, aqui se faz aqui se paga!!!
    Infelizmente, pra muitos a divida é alta.
    Sinto muita pena da mãe dele, mas… o resto.. só lamento!

    Curtir

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